domingo, 4 de novembro de 2018

A MANIPULAÇÃO DE IMAGENS ANTES DA ERA DAS FAKE NEWS

Em nosso curso de fotografia em BH, estamos sempre estimulando os alunos a ampliarem seu repertório cultural, a fim de que possam enriquecer a criação de suas imagens.
Assim, iniciamos hoje, uma série de publicações, abordando fotos memoráveis, seus contextos e autores.

Neste texto, vamos explorar uma das fotos mais icônicas da história - A Bandeira Vermelha sobre o Reichstag.
Em tempos de uma enxurrada de fake news, poderíamos pensar que a internet e o Photoshop seriam, em boa parte, responsáveis.

Mas a manipulação de imagens não é procedimento recente – antes do surgimento da fotografia digital e dos softwares de edição e tratamento, delicadas técnicas manuais eram utilizadas para que a fotografia servisse aos objetivos do fotógrafo e da mídia. Uma das mais famosas imagens da tomada de Berlim pelos soldados soviéticos,durante a Segunda Grande Guerra feita pelo fotógrafo Yevgeny Khaldei, é a confirmação.

"A Bandeira Vermelha sobre o Reichstag" - Yevgeny Khaldei


Muitas vezes chamado de “Robert Capa Russo”, o fotógrafo ucraniano Yevgeny Khaldei (1917 – 1997) trabalhou para a Agência de Telégrafos da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial e suas poderosas imagens do avanço do Exército Vermelho, através dos campos de batalha europeus, ajudaram a consagrá-lo como o mais famoso fotógrafo de guerra da Rússia. Sua imagem dos soldados soviéticos hasteando a bandeira nacional no alto do Reichstag em ruínas, comemora o momento em que as forças soviéticas tomaram o prédio, em 30 de Abril de 1945, durante a Batalha de Berlim.


Apesar da imensa repercussão e do peso histórico atribuído à imagem, ela não é – literalmente – expressão da realidade. A cena foi produzida por Khaldei na manhã do dia 02 de Maio de 1945, dias após o acontecimento. Como ninguém havia fotografado o hasteamento da bandeira, o fotógrafo identificou a oportunidade de criar uma obra prima, possivelmente, comparável à “A Old Glory” de Joe Rosenthal, feita naquele mesmo ano.

"A Old Glory" - Joe Rosenthal

Yevgeny Khaldei almejava mais do que criar uma foto famosa, icônica, para alimentar sua fama – comunista assumido e fiel à sua terra natal, percebeu o peso e o apelo dramático, que aquela imagem teria para seu de seu povo: ela era a verdadeira representação da esmagadora vitória da União Soviética sobre os nazistas. Aquela fotografia, distribuída, divulgada e vista por milhares de pessoas, era a vingança de mais de 30 milhões de combatentes, que perderam suas vidas na Frente Oriental.

Na verdade, o comandante nazista havia se rendido poucas horas antes de Khaldei reconstruir o instante da vitória, tendo subido no edifício, acompanhado de alguns companheiros, com sua Leica – o fotógrafo usou um único rolo de filme, expôs 36 fotogramas e editou as imagens várias vezes, buscando a dramaticidade e a narrativa, que com certeza, agradaria os censores soviéticos.

Quando a foto foi impressa pela primeira vez na revista sindical "Ogonjok" em 13 de maio de 1945, houve a manipulação de um detalhe na foto: na verdade, o soldado do Exército Vermelho, que estava apoiando os companheiros, usava dois relógios, sendo um em cada braço. A história aponta que os relógios tinham um significado especial para os soviéticos, como se fossem troféus - sobreviventes relatam que, quando o Exército Vermelho tomou Berlim, exigia aos alemães: "Uri, uri!" ("Relógios, relógios!"). Conclui-se, que o relógio extra havia sido roubado dos alemães e não seria de bom tom para a imagem soviética, expor um soldado usando artigos roubados. A manipulação também tinha a intenção de proteger o soldado da ira de Stalin, que era contra a pilhagem.

Khaldei admitiu mais tarde, que arranhou um dos negativos, fazendo desaparecer o relógio do braço direito do “soldado”, com uma agulha.
Primeira foto da série "A Bandeira Vermelha sobre o Reichstag" publicada - Yevgeny Khaldei


Foi depois, divulgada uma nova versão da foto, onde nuvens escuras de fumaça aparecem no céu, levando os espectadores a pensar, que a imagem havia sido captada logo após a vitória dos soviéticos. Na última versão, uma nova bandeira aparece, agitando-se dramaticamente, ao vento. 

Pelo menos três outros fotógrafos militares soviéticos tenham fotografado soldados com bandeiras em 1 e 2 de maio de 1945 no Reichstag, a imagem de Khaldei prevaleceu. Mais tarde, numa entrevista, quando questionado sobre as manipulações, ele apenas respondeu: "É uma boa foto e historicamente significativa. A próxima pergunta, por favor”.

Embora as imagens de Khaldei tenham sido muito elogiadas na época, foram publicadas sem créditos.
Apenas após a queda do Muro de Berlim, o crédito de autor e o reconhecimento lhe foram dados.

Três anos depois de voltar da guerra, em 1948, Khaldei foi demitido da Tass, vítima de uma das periódicas ondas de anti-semitismo, que varriam os órgãos oficiais soviéticos. Mais tarde, passou a integrar a equipe do Pravda, o jornal do Partido Comunista, para ser novamente despedido, novamente por ser judeu, em 1972. Desde então, sobreviveu como pôde, sempre fotografando, até 1991, quando afinal se aposentou, já na Rússia pós-comunismo.

Khaldei viveu em um apartamento no 6º andar de um prédio simples em Moscou, em que o único cômodo servia de sala, quarto, escritório, laboratório e arquivo de negativos de sessenta anos de fotografia.
Yevgeny Khaldei faleceu em Moscou, em 6 de outubro de 1997, aos 80 anos.



A BANDEIRA FALSA, O RELÓGIO ESCONDIDO, AS NUVENS INVENTADAS 


A Fumaça – Duas colunas de fumaça ao fundo da cena sugerem, que a sangrenta Batalha de Berlim ainda estava ocorrendo no momento da foto. Na imagem original, a fumaça vista à distância é bem fraca. Khaldei editou a imagem copiando a fumaça de outra tomada, para aumentar a dramaticidade. 

O Reichstag – O edifício do século XIX foi importante na história alemã como sede do parlamento, tendo sido usado no Terceiro Reich com finalidades de propaganda e militares. 

Os Soldados – Em 13 de Maio, quando a imagem foi publicada, foi divulgado que os soldados eram Mikhail Yegorov e – para fazer a felicidade de Stalin, que havia nascido na Georgia – um georgiano chamado Meliton Kantaria. Depois do fim da Guerra Fria, veio à tona que o homem hasteando a bandeira era, na verdade, um ucraniano, Alyosha Kovalyov. 

A Bandeira – Khaldei pretendia criar uma imagem icônica, mas não tinha uma bandeira. Persitindo na ideia, voou até Moscou onde conseguiu três toalhas vermelhas utilizadas em funções oficiais. Passou a noite costurando nelas, a foice e o martelo, antes de voar de volta à Berlim para a foto. 

Os Relógios – durante as batalhas, os relógios tinham um significado especial para os soviéticos. Eles os consideravam como troféus, indicando vitória. A história relata, que quando os soldados vermelhos tomaram Berlim, gritavam “Uri, uri!”, reclamando os relógios dos derrotados. A primeira foto publicada da série mostrava três homens, que representavam os soldados soviéticos comemorando a vitória, hasteando a bandeira – um deles usava dois relógios, um em cada braço, o que indicaria o roubo de pelo menos, um. Khaldei, protegendo a imagem dos soldados soviéticos, apagou um deles no negativo, usando uma agulha.


Novembro . 2018




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

NOVA VERSÃO DO PHOTOSHOP 2019 TRAZ ERROS NOS MODOS DE MESCLAGEM



Os usuários do Photoshop CC devem ter cuidado com a atualização 2019 – ela ainda precisa de correções..

Com a última atualização, feita na terceira semana de Outubro, a Adobe lançou também as últimas versões de todos os aplicativos da Creative Cloud, incluindo o mais recente Photoshop (versão 20.0.0).
Daniel Hager, um dos Adobe Photoshop Certified Expert, que vive na Alemanha, afirma que estava inclinado a experimentar a nova versão do software.

“Tive algumas decepções com as estratégias anteriores de atualização da Adobe, mas isso ainda não havia acontecido com nenhuma das versões CC. Como, praticamente, todos os bugs da versão anterior haviam sido corrigidos, o que poderia dar errado?
A resposta – Muito!

O que não funciona no Photoshop CC 2019

É opinião comum, que um dos recursos mais valiosos do Photoshop é o trabalho com camadas e por consequência, o uso dos modos de mesclagem ou “Blending Modes”.

Não conheço um único usuário, que não dependa desses recursos, não importa em que campo você esteja trabalhando - você precisa dessas funcionalidades!

O Bug do Modo de Mistura do Photoshop CC 2019

Não tenho uma visão técnica exata sobre o que está acontecendo, mas posso dizer que muitos dos modos de mesclagem não estão funcionando corretamente, o que é mais evidente nos modos de mesclagem Matiz, Saturação, Cor e Luminosidade.

Aqui está um exemplo do que está ocorrendo. A imagem tem uma cor com um modo de mesclagem ativo e como referência, eu tenho a mesma cor que um patch.



Pode-se perceber, claramente, que a cor não é a que deveria ser (na imagem, usei o modo de mesclagem “Matiz”). O tom da cor misturada e a cor da amostra deveriam permanecer as mesmas.

Aqui está um exemplo com a execução correta do modo de mesclagem “Matiz". A cor misturada e a cor de referência deveriam ter as mesmas matizes!



Como corrigir os problemas do modo de mesclagem no Photoshop CC 2019

Pesquisei e não encontrei nenhuma menção da Adobe na lista de bugs conhecidos, mas uma publicação, considerei relevante em relação ao problema. E “voilá”! O problema dos modos de mesclagem podem ser corrigidos!

Para que seus Blend Modes funcionem corretamente, siga o caminho:

. Vá em Preferências > Desempenho e mude para o Legacy Compositing Engine.
Depois de salvar essas alterações, você pode continuar trabalhando sem problemas!

Sei que, às vezes, é enlouquecedor lidar com esses problemas – afinal, nós como usuários, não deveríamos passar por isso.
Penso que temos o direito de não esperar mais 6 meses até que esta versão seja, finalmente, utilizável.

Uma pegunta - qual é o objetivo de lançar software inacabado?"

Fonte: Peta Pixel
Tradução livre: Andreia Bueno
Outubro . 2018

sábado, 29 de setembro de 2018

FOTOGRAFIA COMERCIAL X AUTORAL: UM FALSO PROBLEMA?

O perfil de instagram @insta_repeat possui 133 publicações. Até aí, nada demais.
Sua relevância não vem da quantidade de imagens postadas, mas de sua proposta provocadora. Sua autora, identificada como @emmasheffer, usou a plataforma para nos mostrar o quanto as fotos que compartilhamos na internet são semelhantes umas às outras.
As imagens são organizadas em blocos temáticos, que formam mosaicos de fotografias de terceiros que, depois de editadas e repostadas em conjunto, explicitam de maneira chocante a monotonia estética, que reina no Instagram.
Cada conjunto é acompanhado de legendas como: “Insta Hat”, mostrando dezenas de fotos de pessoas de chapéu, fotografadas de costas, todas com o mesmo ângulo. Ou: “drones olhando diretamente para baixo com lago no centro”, mais uma vez, dezenas de fotos muito parecidas. E por ai vai.


A questão da autenticidade na fotografia não é nova.
Desde sua origem em meados do século XIX, fotógrafos, cientistas e artistas de várias vertentes têm debatido as diferentes dimensões das imagens fotográficas e, sobretudo, o papel do fotógrafo como autor das imagens produzidas.
Para muitos, a fotografia não poderia ser considerada uma forma de arte pois, diferentemente dos pintores, as imagens criadas pela máquina eram “imagens técnicas”, frutos diretos de processos físico-químicos que se produziam “sem a interferência humana”. Nessa vertente, o interesse pela fotografia vinha de sua potencialidade científica.

Por meio das máquinas, foi possível pela primeira vez promover estudos detalhados sobre o movimento de animais e humanos, como nas obras de Eadwerard Muybridge e Etienne-Jules Marey, ou analisar em detalhes os caracteres fenotípicos dos diferentes tipos humanos, como em Alphonse Bertillon e Maurice Vidal Portmann, entre outros.
A fotografia, encarada como imagem técnica, trazia outra novidade.
Seu caráter científico lhe dava uma aura de realismo numa dimensão inatingível pelos pintores de então. Por mais naturalistas que fossem as pinturas do neoclassicismo do século XIX, elas eram sempre criações subjetivas de seus autores, que interpretavam a realidade segundo sua vontade.
Apenas a fotografia científica era capaz de documentar o mundo objetivamente, ou seja, a documentação fotográfica mostrava o real como nunca havia sido possível, permitindo inclusive seu uso como prova em processos judiciais.



Contra essa vertente surgiu, já em 1880, um movimento conhecido por Pictorialismo, que pleiteava o status de arte para a fotografia, negando o caráter puramente técnico das imagens fotográficas. Na batalha por reconhecimento no mundo das artes, fotógrafos como Alfred Stieglitz, Henry Peach Robinson, Edward Steichen, Clarance White além de muitos outros, produziram imagens manipuladas em laboratório, que buscavam imitar a estética das pinturas.


Na virada do século XX o debate sobre o estatuto artístico da fotografia já se libertava da estética pictórica e alçava vôo amparado pelo aprimoramento da técnica.
Grandes nomes como Ansel Adams, Paul Strand e Edward Weston apostaram na excelência técnica, usando câmeras de grande formato e definição apurada, além de desenvolverem novas metodologias para a produção do que ficou conhecido como “Fotografia Direta”. A obra de Weston intitulada “Nautilus Shell”, de 1927, foi leiloada em 2010 por mais de um milhão de dólares.
Enfim, após cerca de 80 anos o mercado da arte reconheceu a genialidade de seu autor!
Mas afinal, o que tudo isso tem a ver com fotografia comercial? Eu diria, tudo a ver!
Um dos principais desafios dos (das) fotógrafos (as) iniciantes é descobrir o tal “estilo pessoal”. Apresentado como a pedra filosofal do sucesso na fotografia, essa tal marca autoral parece uma miragem inalcançável, um enigma hermético acessível apenas aos iniciados.
Muitas vezes acabamos nos rendendo a padrões estéticos que fazem sucesso e relegamos a questão da autoria para os fotógrafos “de galeria”. Mas da mesma forma que as imagens postadas pelo @insta_repeat, os ensaios da chamada “fotografia social” acabam muitas se tornando repetitivos, esteticamente monótonos e desinteressantes. Em geral, o termômetro do sucesso tem sido o número de seguidores nas redes sociais, que transformam alguns poucos profissionais em ídolos de uma legião de fotógrafos, que muitas vezes dominam a técnica fotográfica, mas não conseguem desenvolver uma linguagem própria ou uma marca pessoal.

Como fazer então para não cairmos na armadilha da cópia?
Qual o caminho para fazer diferença em um oceano infinito de imagens semelhantes?

Do meu ponto de vista, a única forma é um trabalho árduo de aprendizado, de evolução pessoal e de educação visual.

Se você procura um atalho, esqueça.
Não acredito em “cinco dicas para desenvolver seu estilo pessoal”.
O amadurecimento estético vai muito além de voar pelos perfis de sucesso na internet.

Como inúmeros autores já disseram, apenas o estudo da história dos grandes fotógrafos, a leitura de textos teóricos e o exame exaustivo de imagens significativas pode fazer com que cada um de nós descubra dentro de si uma forma especial de olhar e ver o mundo.
Certa vez me disseram, “não compre equipamentos, compre livros!”.
Por mais exagerado que isso possa parecer, a fotografia, como diria Cartier-Bresson, é fruto do alinhamento entre o olho, a mente e o coração. Se acreditamos mesmo que as fotografias não são produzidas pela máquina, mas pelo fotógrafo, as imagens que produzimos são reflexos de nós mesmos em conexão com o mundo em que vivemos. Por isso, novas dimensões para os ensaios de “life style” se escondem nos trabalhos clássicos de documentação da vida cotidiana.

Há um universo a ser descoberto na história da arte para enriquecer os ensaios de casamento. Produtos podem ser encantados pelas experiências estéticas de artistas consagrados. A fotografia, como a alquimia, pode ser um meio para evoluirmos junto com as imagens que produzimos, seja para a apreciação em galerias, seja para levar a felicidade a um jovem casal que se lança na aventura do matrimônio.

Imagens:

1. Pagina @insta_repeat
2. Eadwerard Muybridge
3. Maurice Vidal Portmann
4. Edward Steichen
5. Edward Weston

Setembro . 2018

terça-feira, 25 de setembro de 2018

UM PROJETO FOTOGRÁFICO PARA APOIAR O TERCEIRO GÊNERO . OS HIJRAS

Chame-me de Heena: Hijra, O Terceiro Gênero

Um profundo relato, feito pela fotógrafa Sharhia Sharmin desde 2012, sobre um grupo único de pessoas – fora das noções ocidentais de gênero – que tentam encontrar seu lugar no mundo.


“Eu me sinto como uma sereia. Meu corpo me diz que sou um homem, mas minha alma me diz que sou uma mulher. Eu sou como uma flor, uma flor feita de papel. Eu sempre serei amado à distância, nunca serei tocado e não haverá nenhum perfume, pelo qual se apaixonar”, diz Heena, 51 anos, de Dhaka, Bangladesh, em 2012.

"Hijra" é um termo do sul da Ásia, que não tem correspondência exata na moderna taxonomia ocidental de gênero, designada como masculina ao nascimento, com identidade de gênero feminina e que, eventualmente, adota papéis femininos.




 Eles são, muitas vezes e grosseiramente, rotulados na literatura como hermafroditas, eunucos, transgêneros ou mulheres transexuais. Atualmente, usa-se um termo social mais adequado - o “Terceiro Gênero”. 

Transcendendo a definição biológica, os hijras são um fenômeno social, fazendo parte de um grupo minoritário, e têm um longo registro histórico no sul da Ásia. No entanto, sua aceitação social e as condições atuais de vida variam, significativamente, em países como Bangladesh, Índia e Paquistão. Talvez os Hijras de Bangladesh enfrentem a pior situação, o que obriga boa parte deles a deixar sua pátria e migrar para a Índia.

Embora tenham suas próprias origens familiares e sociais, os Hijras experimentam um verdadeiro sentimento de pertencimento, quando estão em seu próprio grupo - os Hijras. Esses grupos oferecem a eles o abrigo natural de uma família e o calor do relacionamento humano. Fora do grupo, são discriminados e desprezados em quase toda parte.




Tradicionalmente, esses indivíduos ganhavam a vida com base na crença cultural de que os Hijras tinham o poder de abençoar a casa das pessoas com prosperidade e fertilidade. Em virtude da história geográfica e cultural compartilhada com o subcontinente, essa crença hinduísta ganhou, aos poucos, espaço na entre os muçulmanos, que habitavam aquela terra. Os tempos mudaram e os Hijras perderam seu espaço privilegiado na sociedade. Atuamente ganham a vida andando pelas ruas pedindo dinheiro a lojistas, passageiros de ônibus e trens ou através da prostituição.

Eu, como quase todos que fazem parte do meu círculo social, cresci vendo os Hijras como pessoas “menores”, como sub-humanos - seus hábitos, modo de vida e até mesmo sua aparência, os definiam como “diferentes”, “desviados” , como se fossem o testemunho vivo de uma aberração biológica. Então, conheci Heena, que me mostrou como eu estava errado. Ela contou sobre sua vida, me fez parte de seu mundo e me ajudou a ver algo além da palavra “Hijra”. Ela me fez entender - ela e outros membros de sua comunidade, como mães, filhas, amigos e amantes - quem são de verdade.

No mundo de hoje, os hijras dificilmente têm a oportunidade de uma vida normal. Eles não têm escolas onde estudar, nenhum templo para orar, nenhum governo e organizações privadas, que queiram vê-los em sua lista de funcionários. Eles não têm acesso a sistemas legais e os provedores de serviços de saúde, não os recebem.

Eu comecei este projeto autofinanciado e em andamento, no início de julho de 2012. Meu trabalho conquistou os corações e a confiança de muitos Hijras, o que espero ser evidente em meu ensaio fotográfico. Para contar a história completa, o trabalho deve continuar.

Através do meu trabalho, espero dar voz aos “sem voz”. A fotografia sempre foi uma ferramenta extremamente eficaz ao desafiar o estigma social e ajudar a revelar uma realidade diferente para o mundo. Espero que meu trabalho ajude os Hijras a encontrar um espaço para respirar em uma sociedade claustrofóbica como a nossa e a encontrar novos amigos em seu mundo sem amigos.

Fotografias e texto de Shahria Sharmin

Tradução livre - Andreia Bueno
Setembro . 2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

YONGNUO VAI CONQUISTANDO MERCADO . VEM AÍ A NOVA 50 MM F/1.4 II


A cada ano, a Yongnuo vai se estabelecendo no mercado como fabricante de lentes e a empresa está, lentamente, se distanciando dos designs de lentes, que no ínicio, copiou da Canon. Além de substituir a anterior 50mm f / 1.8 “Nifty Fifty”, está também atualizando sua 50mm f / 1.4, com a nova YN50mm f / 1.4.

A nova auto-focus Yongnuo YN 50mm f / 1.4 possui diafragma com 7 lâminas para “belos fundos suaves e borrados, e pontos de desfoque circulares, bem como efeito de 14 estrelas quando se utiliza abertura mínima (f/22)”, diz Yongnuo.
A empresa tem enfatizado a qualidade do bokeh como ponto forte de suas lentes – a nova 50mm f / 1.8 II tem o que a Yongnuo chama de "Super Bokeh".

Mesmo em ambientes com iluminação deficiente, é possível fotografar com ISO mais baixo e velocidade de obturador, relativamente, alta.


Assim como outras novas lentes da Yongnuo, a 50mm f / 1.4 II possui uma porta USB que permite atualizar o firmware da lente sem qualquer conexão adicional.

A lente também oferece foco através do Live View e a Yong Nuo afirma, que quando o Modo LV está ativado, consegue focar através de diferentes ângulos ou focar com precisão, através do display.



Entre as características da YN 50mm f / 1.4 II estão a abertura eletromagnética (modos de disparo M / Av / Tv / P / B), vidros ópticos de qualidade, revestimentos multicamadas para aumentar a transmissão de luz e controlar “gosthing” e “glare”, contatos banhados a ouro, corpo construído em metal e indicador de distância de foco.

Apesar de ainda estar indisponível para compra, a Amazon está anunciando a nova lente por US $ 199, seguindo a política da fábrica de manter os preços mais acessíveis.



Especificações:

Comprimento Focal: 50mm
Abertura: Máxima: f/1.4 - Mínima: f/22
Camera Mount: Canon
Ângulo de Visão: Diagonal: 46 / Vertical: 27 / Horizontal: 40
Distância Mínima de Focagem: 45 cm
Fator máximo de Amplificação: 0,15X
Motor/Sistema: DC
Design Óptico: 9 elementos em 7 grupos
Lâminas do Diafragma: 7
Autofocus: sim
Diâmetro de Filtro: 58 mm
Comprimento: 93 mm
Peso: 572 gramas


segunda-feira, 23 de abril de 2018

COMO CRIAR SEU PORTFÓLIO DIGITAL

Num mercado tão competitivo, exibir adequadamente sua produção fotográfica na web é essencial - ter um site bem elaborado e capaz de vender seu trabalho é uma das mais poderosas ferramentas para se destacar no mercado.


Possuir um portfólio online envolve muito mais do que, simplesmente, mostrar suas fotografias e deve ser tratado como um canal de marketing.
O site precisa ser de fácil navegação, esteticamente agradável, rentável e direto.

POR ONDE COMEÇAR




O primeiro passo, mesmo antes de procurar um profissional para desenvolver o projeto, é preparar as fotografias e o conteúdo.
Um bom site deve ter o foco em seu objetivo - sendo assim, elementos que distraiam, cansem ou desperdicem o tempo do visitante devem ser eliminados.
Desista de animações complicadas, filmes ou textos desnecessários.
Muitas vezes, a visita ao site é sua primeira oportunidade de contato com o possível cliente e a experiência precisa ser prazerosa.

Selecione, apenas, o melhor do seu trabalho fotográfico e não exceda na quantidade de fotos - com uma média de 10 a 15 imagens de cada área de atuação, você mostra sua capacidade.
Quem não consegue mostrar a qualidade de seu trabalho em 15 fotos, não conseguirá fazê-lo em 30!

Separe um espaço para exibir seus projetos pessoais, seu autoral. Desta forma, você transmite ao cliente a mensagem de que "ama seu trabalho" e que não está ali, apenas para "ganhar dinheiro", o que é extremamente positivo.
Alguém que faz o que ama, faz muito melhor.

Infelizmente, vivemos tempos de dificuldades econômicas e a maioria dos fotógrafos atua em mais de uma área para suprir suas necessidades - não há nada de errado nisso, embora seja desejável, que atuemos numa única, tornando-nos referência no mercado.

Exatamente, em busca deste reconhecimento, é preciso selecionar o material fotográfico de acordo com as áreas de atuação, dando mais destaque àquele em que se é especialista, ao mais relevante.

SEGUNDO PASSO

Depois de selecionar e arquivar todo material numa única pasta em seu computador, chega a fase de preparar o material para a web - chega a fase de contratar o profissional, que irá desenvolver o projeto.

Os dispositivos digitais em que seu portfólio será exibido estão cada vez mais variados, passando por grandes telas até as de compactos dispositivos móveis.

Os formatos e resolução devem estar, perfeitamente, ajustadas à web, embora no desenvolvimento de sites, a decisão sobre a resolução a ser adotada depende do perfil da maioria dos usuários.
Sugerimos uma consulta com um profissional da web, a fim de tomar a melhor decisão.
De qualquer forma, as imagens precisam ser "leves", porém, nítidas e bem acabadas.

O conceito do "design responsivo" ajuda a solucionar qualquer problema, considerando essas diferenças como faces de uma mesma experiência, trabalhando de modo adaptativo.

O que é design responsivo?


Design responsivo é um conceito de otimização estrutural e de design de sites para diferentes tipos de tela de dispositivos. Quando um site responsivo é aberto em um celular, ele automaticamente se adapta ao tamanho da tela deste dispositivo e oferece ao usuário as informações da mesma forma que teria em uma tela de computador, mas em contexto diferente. Hoje o design responsivo seria como um requisito básico de um site para que o usuário possa navegar independente do dispositivo, seja computador, tablet ou celular.

QUEM É VOCÊ


Além de conter imagens é interessante, que o site mostre informações a seu respeito, através de uma pequena biografia e um retrato, chamada carinhosamente de "bio".

Você pode se apresentar com um texto resumido, falando de sua trajetória, de sua formação acadêmica, de seu amor pela fotografia, do que ela representa para você e de seus objetivos enquanto profissional.
Insira ainda, caso queira transmitir uma sensação de proximidade com o visitante, informações pessoais, contando sua história.
Mas nunca - nunca! - insira informações excessivas e inverdades.
Não trate sua "bio" como a página inicial de seu diário.

O retrato, que acompanha o texto deve traduzir a pessoa que você é, mas acima de tudo, mostrá-lo acolhedor e transparente - lembre-se que somos, essencialmente, visuais e esta será a primeira impressão, que seu possível cliente terá a seu respeito.

Não se esqueça de inserir seus dados de contato!
Parece bobagem, mas muitos se esquecem de deixar seus canais de comunicação - telefone comercial, email e links para as redes sociais profissionais são suficientes.
Não aconselhamos endereço, telefones e links pessoais.

REGISTRO DE DOMÍNIO



É momento de escolher o nome do site e verificar a disponibilidade do domínio na internet.
Para domínios nacionais e internacionais basta acessar, gratuitamente, o site www.registro.br

Para domínios nacionais, pesquise - .com.br
Para domínios internacionais, pesquise -.com

Se o nome escolhido estiver disponível, basta registrá-lo por uma média de R$40,00 por ano.

Seja cuidadoso ao escolher o nome e endereço do site - opte por nomes e endereços de fácil identificação. Lembre-se de facilitar a busca do cliente.

ESTÉTICA E COMUNICAÇÃO


Como já citamos acima, é preciso que a experiência do usuário, ao visitar seu site, seja agradável, inclusive esteticamente.
Mais ainda, quando se trata de fotografia - aqui, a maior parte da comunicação é visual.
Portanto, a programação visual precisa ser bem elaborada no que diz respeito ao layout, aos esquemas cromáticos, às linhas e diagramação, eliminando qualquer distração e problemas com o fluxo de leitura.
Existe um princípio básico - as fotos são o elemento principal, o foco do site e todos os elementos visuais devem concorrer para que o objetivo seja atingido.
Um bom exemplo é a escolha do "fundo", que nunca deve "brigar" com a foto pela atenção do visitante.

HOSPEDAGEM

Finalizando o projeto, chega a fase da escolha do provedor que hospedará o site.

Existem diversos serviços de hospedagem de site diferentes e você precisa conhecer suas necessidades para contratar o tipo de plano, que mais se encaixa com seu perfil.

Segundo o Rock Content devemos observar os 10 pontos a seguir, antes de definirmos o provedor:

1 – Disponibilidade (Uptime)
2 – Armazenamento disponível
3 – Tráfego mensal
4 – Velocidade de carregamento
5 – Segurança dos seus dados
6 – Suporte ao cliente
7 – Formas de pagamento
8 – Sistema de gerenciamento de conteúdo
9 – Faça um teste grátis
10 – Descubra vantagens extras

Lembre-se de manter seu portfólio atualizado periodicamente e de responder a todas as mensagens que chegarem - é sua chace de começar a criar um vínculo com os possíveis clientes!

A contratação de um profissional da área para desenvolver o projeto e gerenciar o site é essencial - só ele tem o conhecimento necessário para que os objetivos sejam alcançados.
Não há uma tabela de preços para o serviço e aqui vale uma boa pesquisa, tanto no preço quanto de qualidade de serviços prestados.

Mas se você quiser se aventurar na área e montar seu próprio portfólio, a Adobe disponibiliza um software - Dreamweaver - perfeito para criação de sites responsivos.
Basta estudar e colocar o conhecimento em prática.

Existem ainda provedores, que oferecem recursos facilitados para quem não tem familiaridade com as linguagens utilizadas na criação de sites - são inúmeros templates e tutoriais, através dos quais você mesmo pode criar e gerenciar seu portfólio digital.
Dois dos maiores são o WIX e o WORDPRESS

Para ver um comparativo entre os maiores, clique aqui!

Site pronto, é manter tudo funcionando e aguardar os resultados!
Boa sorte!

Abril . 2018

segunda-feira, 26 de março de 2018

"DE PERTO NINGUÉM É NORMAL" - RETRATOS DISTORCIDOS, DISTÂNCIA E LENTES

A Influência da Distância Focal e da Proximidade do Fotógrafo dos Modelos na Fotografia de Retrato

Em nossas aulas, insistimos com os alunos a respeito da escolha da distância focal certa para a fotografia de retratos, caso a abordagem seja mais formal - soma-se a isso, a necessidade de mantermos uma boa distância do fotografado.
O desrespeito a estes princípios pode ocasionar (e quase sempre acontece) distorções indesejáveis, alargando o nariz ou "engordando" o/a modelo.


As distorções são provenientes do tipo de lente utilizada em determinada objetiva - sabemos que não existe uma lente "perfeita" e a imagem se forma com níveis diferentes de magnificação no centro e nas bordas.
A proximidade com o modelo reforça o efeito.

Assim, vejamos as distorções mais comuns produzidas pelas lentes:




Fonte: Camera Neon


Não se trata de um problema e sim, de características das lentes e precisamos saber lidar com elas.
Veja abaixo, o efeito do uso de cada uma numa fotografia de retrato em primeiro plano:

Fonte: Dpreview




Para um retrato sem distorções evidentes, as melhores distâncias focais estão entre 80 e 100 mm - mantendo a devida distância do fotografado.

Encontramos hoje, no site da Exame um artigo super interessante a respeito do nível de distorção das selfies, causado pela proximidade do celular com o usuário e como isto tem afetado a auto estima das pessoas - realmente, de perto, ninguém é normal!

Observe ainda, a interferência do fator de corte  na distância focal correspondente.

E bons retratos!

Andreia Bueno
Studio3 Escola de Fotografia
Março . 2018