Devo minha
vida à fotografia e à minha fé, mas agradeço a todos com quem aprendi algo
nessa trajetória de quedas memoráveis, até chegar onde estou.
Meu nome é
Andreia Bueno, filha única de um casal maravilhoso, já falecido. Com eles
aprendi valores preciosos, a sonhar, realizar e persistir diante dos
obstáculos. Minha paixão sempre foi fotografia, que aprendi com minha mãe.
Cursei administração e design, sem deixar nunca de fotografar.
Por três
vezes, abri e tentei manter meu próprio negócio, sem sucesso: cometi erros
fatais de gestão. A última tentativa, em 2006 deixou consequências
devastadoras: perdi casa, carro e me vi sozinha, sem recursos. Vivi um ano e
quatro meses, numa casa simples, com aluguel pago por amigos, sem energia elétrica
– o caso foi parar, inclusive, no jornal e na TV.
Essa é mais
uma longa história, que pode ser comprovada por artigos publicados no Google.
No auge da
crise, com 48 anos, contra todas as dificuldades, respirei e resgatei meus
valores: iniciaria então, a empresa vitoriosa, que hoje administro: a Studio3
Escola de Fotografia e minha carreira de fotógrafa profissional.
Definido meu
objetivo e o serviço que ofereceria, tracei o plano de negócio.
Decidi, que
do pouco dinheiro que conseguia, uma parte seria para compra de iluminação de
estúdio e outra, para internet. Com ela, faria pesquisas de mercado, contatos e
divulgaria a escola.
Meu objetivo
era uma escola diferenciada, que oferecesse certificação, com mensalidades
acessíveis e novos métodos, onde os alunos aprendessem através de práticas em
situações reais e de um programa completo, que abordasse desde técnicas, até
empreendedorismo e gestão de carreira.
Passei dois
anos refinando o projeto e preparando a abertura da escola.
No final de
2009, busquei o espaço para implantação da empresa, que já era formalizada.
Lembrei-me
do Centro de Cultura, onde já havia trabalhado e fiz contato, apresentando a
proposta - o ponto era excelente, a estrutura perfeita e eu teria a
possibilidade de oferecer aos alunos, o que desejava.
Proposta
aceita, firmamos contrato de parceria, definimos preços, horários e logística.
Segui, eu
mesma, com a divulgação, captando alunos.
Comecei em
2010, com uma só sala, onde ministrava teoria e prática. Ofereci uma única
modalidade de curso. Abri vagas para três turmas. Fiquei surpresa quando
tivemos que abrir mais uma turma à noite, devido à demanda - foi a primeira
vitória.
Foram tempos
difíceis: saía de casa de ônibus às 7:00h, voltava à 00:00h e fazia todo o
trabalho da Escola – quando chegava em casa, havia um único ponto de energia,
cedido por uma vizinha e era com ele, que eu ligava o computador. Perdi inúmeros trabalhos, pois meu estúdio era em minha própria casa e eu não tinha energia para ligar os equipamentos - menos trabalho, menos dinheiro, mais dificuldades a serem superadas.
Persisti,
oferecendo serviços, que compensassem as deficiências: implantei um ciclo de
palestras gratuitas no centro de cultura, passeios fotográficos e comecei a
produzir exposições em espaços culturais da cidade, com as fotos dos alunos, o que
gerou ótima repercussão.
Consegui,
que os alunos treinassem, fotografando apresentações da Cia de Dança Sesiminas,
do Circo Sesi e desfiles de moda. Pude então, proporcionar a eles, experiências
em situações reais, que é um de nossos grandes diferenciais.
Conquistando
mercado, fui firmando parcerias com empresas que como a Escola, se beneficiavam
das ações.
Em 2012, a
escola já havia crescido e identifiquei a necessidade de contratar outro
professor.
Decidi que
daria preferência a ex-alunos, já formados e experientes, depois de um amplo
treinamento em docência.
Hoje, a
escola conta com 4 professores, sempre incentivados a melhorar sua capacitação.
O 7º andar
do Centro de Cultura é todo nosso: temos boas salas e um estúdio bem equipado.
Atualmente,
gerencio a escola, leciono e coordeno os professores: trabalhamos
amistosamente, em equipe, prezando os mesmos valores e empenhados em nossa
missão. Avaliamos resultados e conversamos muito, para que exponham suas ideias
e soluções.
Sigo atenta
às demandas dos alunos, fazendo pesquisas de satisfação, além de obter
informações em conversas informais- eles são nosso melhor termômetro e temos um
relacionamento muito próximo.
Mantenho o
foco no mercado, observando o comportamento de nosso público nas redes sociais,
nosso mais eficiente canal. Identificando demandas, transformo-as em novos
cursos, ações e serviços.
A cada
semestre, a escola cresce e recebe novos alunos.
Meus anos de
estudo, minha garra, persistência e amadurecimento, mas principalmente, as
lições aprendidas com os erros do passado, norteiam minha atuação como
empresária. Deixei o imediatismo para trás e sigo, sistematicamente, mas com resiliência.
Busco consultorias e permaneço me capacitando. Sinto-me segura e dona de um bom
negócio. Venci o preconceito contra uma mulher de 50 anos, num universo
dominado por homens - o do ensino fotografia. Construí minha escola, reestruturei
minha vida e compartilhei com muitos, o caminho para o sucesso. Repito sempre,
em sala de aula e em nossos canais na internet:
O “Não”,
você já tem. Prepare-se, vá lá e faça. Se eu posso, vocês podem.
Terei
sempre, muito a aprender e a escola, muito que crescer, mas me sinto feliz –
tenho uma vida super tranquila e confortável. Implantamos uma nova forma de
ensinar fotografia, comprometida com o resultado dos alunos. Continuo, junto
com meus colaboradores, a abrir portas e oferecer ferramentas, para que outros
vençam. Nossos alunos já formados retornam para especializações e nos indicam a
outros. Muitos são premiados e referências em diversas áreas da fotografia.
Hoje, minhas
– nossas – conquistas, são resultados de muito trabalho, principalmente, de ter
mantido o foco, não ter deixado com que o medo e a desesperança me dominassem
em minha pior fase de vida e de muita preparação, estudo e persistência.
Desejo o
mesmo a vocês!
Com carinho,
Andreia Bueno
05 de Janeiro de 2016