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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

COMO FOTOGRAFAR SHOWS DE FOGOS DE ARTIFÍCIO


Fotografia: Thomas Hays

Como hoje é véspera de Ano Novo, certamente, teremos oportunidade de fotografar algumas das cenas mais mágicas, que podemos presenciar – os fogos de artifício, em comemoração à chegada de 2016!
E a magia dos fogos não acontece apenas, porque são por si só, um espetáculo, mas também, porque significam a celebração de uma ocasião muito especial – e hoje, não será diferente.

Fotografar fogos de artifício e seus efeitos não é tão difícil quanto parece.
Obviamente, é necessário conhecimento técnico e estético, mas existem truques, que podem ser usados para obtermos melhor resultado.

Então, aproveite a noite de hoje e registre a virada do ano no melhor estilo!

Veja algumas dicas a seguir:

1. Use tripé

Talvez, a dica mais importante seja essa – use um tripé e garanta, que sua câmera não se movimente durante a exposição, pois para esse tipo de fotografia, são utilizados tempos mais longos. Caso sua objetiva seja equipada com estabilizador, lembre-se de desliga-lo, quando estiver sobre um tripé.

2. Use um disparador remoto

Uma das formas de garantir a estabilidade de sua câmera durante a exposição para fogos de artifício é utilizar qualquer dispositivo de disparo remoto. Os modelos variam de câmera para câmera e o mercado oferece tanto modelos originais, quanto alternativos.
Caso você não tenha um disparador remoto, utilize o temporizador da própria câmera, mas para que funcione da forma adequada, é preciso prever o momento certo para liberação do obturador.

3. Enquadramento


Fotografia: Blair Ball Photography

Uma das decisões mais difíceis, quando fotografamos fogos de artifício, é o enquadramento. Isso, porque enquadramos, geralmente, antes que o show se inicie. Portanto, é um processo intuitivo, que exige antecipação.

É preciso considerar alguns pontos, para se obter um enquadramento correto:

.Planejamento é fundamental para fotografar shows de fogos e chegar mais cedo, para garantir um bom posicionamento, sem obstruções é importante.Verifique o que se encontra em primeiro plano e ao fundo de seu enquadramento, de onde os fogos serão lançados e em que partes prováveis do céu, eles explodirão. Escolha também, quais as objetivas você utilizará – deixe-as preparadas.

. Verifique se sua câmera está nivelada com a linha do horizonte. Isso é, especialmente importante, se você estiver usando uma objetiva grande-angular e o enquadramento contemplar outros elementos ao fundo, como a arquitetura do local.

. Enquadramento vertical ou horizontal? Podemos optar por um ou outro enquadramento. Antes de decidir é importante observar a direção do movimento dos fogos, definir sua intenção e a distância focal, que estamos utilizando naquele momento. Enquadramentos horizontais funcionam bem, quando se quer obter fotos em formato paisagem, para capturar explosões montadas em série e esta se utilizando uma distância focal menor. Enquadramentos verticais funcionam melhor, com distâncias focais maiores, para recortes e movimentos verticais na cena.

. Lembre-se do enquadramento, que escolheu e não deixe de observar o show a olho nu. Manter a atenção no show e lembrar-se do enquadramento, vai ajuda-lo a perceber, antecipadamente, o momento certo de efetuar o disparo, para registrar os fogos, exatamente, no momento em que explodirão no céu.

4. Distância Focal

Uma das etapas mais complexas, quando fotografamos fogos de artifício é decidirmos para onde direcionar a câmera, que deve estar apontada para o local certo, no momento correto. Isso é, especialmente, difícil se utilizarmos uma objetiva de distância focal longa, buscando recortes da cena. O ideal é que utilizemos objetivas grande- angulares, dotadas de zoom – assim, é possível variar o “crop” durante o show e privilegiar determinadas partes da cena, registrando a mistura de cores dos fogos. Embora o “crop” na pós-produção seja possível, é bom lembrar, que cada vez que cortamos uma imagem, jogamos fora uma série de dados digitais, que nos permitiriam uma cópia maior, de alta qualidade, em papel.


Fotografia: Disney/ Divulgação

5. Abertura

Uma dúvida comum a respeito de como fotografar shows de fogos é sobre que abertura de diafragma usar. A maioria das pessoas imagina, que é necessário ter uma objetiva clara, o que não é verdade, uma vez que os fogos são o foco da cena e apresentam-se bastante brilhantes. As melhores aberturas para esse tipo de registro são as médias, dentro do intervalo de aberturas da objetiva – geralmente, aberturas entre f/8 e f/11, funcionam muito bem.

6. Velocidade do Obturador

Mais importante, que a definição da abertura é a escolha da velocidade do obturador.
O lançamento dos fogos são cenas, que apresentam movimentos e as melhores fotografias são as que registram, exatamente, essa trajetória. Isso significa que é necessário trabalhar em longa exposição. Assim, a melhor opção é utilizar o modo “BULB” da câmera, permitindo que o obturador fique aberto, durante o tempo em que você mantiver o disparador remoto travado. Usando essa técnica, você efetua o disparo segundos antes da explosão dos fogos, mantém o obturador aberto durante o show e finaliza a exposição, segundos antes do final. Não deixe o obturador aberto por um período excessivo – a tendência é que, por estarmos fotografando à noite e em local com iluminação deficiente, pensemos que podemos mantê-lo aberto pelo tempo que quisermos. O foco da foto são os fogos e eles são bastante brilhantes. Qualquer excesso pode causar superexposição e um “estouro” na imagem, especialmente, se na cena, houver muitas explosões, na mesma área.

7. ISO

Use o ISO nativo de sua câmera, que costuma estar entre 100 e 200, evitando imagens cheias de ruído. Lembre-se, que você estará usando um tempo de exposição longo.

8. Não utilize flash

Utilizar o flash não terá impacto algum sobre suas fotos. Lembre-se, que o flash tem alcance limitado, de apenas alguns poucos metros e no caso dos fogos de artifício, mesmo que estejam mais próximos, o flash não irá influenciar no resultado, a não ser para registrar fumaça (se houver), o que na verdade, compositivamente, desviaria a atenção do foco principal da imagem.

9. Fotografe no Modo Manual

Os melhores resultados são obtidos utilizando-se o Modo Manual de Exposição e Foco Manual.

O foco automático de muitas câmeras não opera bem em situações de luz deficiente e caso você insista, poderá perder grandes momentos do show.
Trabalhando em focagem manual, uma vez definido o foco, não será necessário refazê-lo durante o show, especialmente, se estiver usando uma abertura reduzida de diafragma, que garante uma boa profundidade de campo.
Se sua objetiva tiver a marca de "foco no infinito" utilize-a.
Haverá necessidade de repetir o processo apenas, se você mudar o enquadramento ou a distância focal, para o qual, o primeiro foco foi definido.

10. Descubra a direção do vento

É importante, que você esteja posicionado a favor do vento, a partir do ponto de onde os fogos serão lançados e não, contra ele.
Muita fumaça é gerada durante o show, que caso você esteja posicionado contra o vento, virá em sua direção e poderá estragar sua foto.
Se você estiver fotografando a favor do vento, a fumaça estará entre você e os fogos e não o contrário.


Fotografia: Mauro Pimentel

Escola de Fotografia Studio3 & Sesiminas deseja a todos um 2016 de paz, amor, prosperidade e muita fotografia!

Texto Complementar e livre tradução: Andreia Bueno

sexta-feira, 6 de abril de 2012

FOTOGRAFIA NOTURNA . LOW LIGHT PHOTOGRAPHY . PARTE IV

Fontes Luminosas e Temperatura de Cor


As cores da luz do dia mudam com o decorrer das horas, de acordo com as camadas da atmosfera, que os raios do sol necessitam atravessar para alcançar a Terra e a qualidade dessa mesma atmosfera depende, por sua vez, do grau de elevação, no qual o sol se encontra em relação ao horizonte.
Em virtude de termos, apenas, uma fonte de luz primária durante o dia, a maioria das fotos capturadas nesse período, têm sua cores balanceadas para ela.
Entretanto, no horário noturno, existem variadas fontes luminosas e cada uma, possui sua temperatura de cor própria.
O olho humano realiza um trabalho fantástico, compensando os diferentes níveis de luz, através da dilatação e contração das pupilas, baseado no que foi visto anteriormente.
O cérebro, por sua vez, tem a capacidade de se adaptar e compensar as diferentes temperaturas de cor das luzes noturnas, como se essas, emitissem luzes de cores neutras.
Quando vemos, próximas umas das outras, diferentes tipos de fontes luminosas, a diferença de cor entre elas é mais perceptível.
A fotografia tende a registrar e, de certa forma, exacerbar a cor da luz, uma vez que os filmes e sensores digitais não conseguem se adaptar e compensar as diferenças, como o olho humano.
Diferentes tonalidades de luz, atuando num mesmo espaço e misturando-se, podem potencializar o impacto da fotografia noturna, mas sem o devido tratamento, podem ser fonte de efeitos indesejáveis.
As câmeras digitais, normalmente, possuem o recurso de White Balance, configurado para a fonte de luz dominante, num determinado ambiente.
As câmeras digitais podem ter o White Balance configurado para “Luz do Dia”, “Tungstênio”, “Luz Fluorescente”, “Dia Nublado”, “White Balance Personalizado”, “Temperatura de Cor Específica – K” ou “Auto White Balance”.
Geralmente, o “Auto White Balance” funciona bem, desde que não estejam atuando, num mesmo ambiente, variadas fontes de luz, com temperaturas de cor diferentes, situação que ocorre, frequentemente, à noite.
O filme é mais limitado, sendo balanceado para “Luz do Dia” (5500 K) ou “Tungstênio” (3200 K).
Os fotógrafos, que trabalham com câmeras analógicas podem, até certo ponto, corrigir a cor de suas fotografias, usando filtros, mas os resultados são limitados quando, no mesmo ambiente, atuam diferentes fontes luminosas.
Nem o filme, nem o sensor digital conseguem resolver, completamente,  a questão, quando múltiplas fontes de luz, de diferentes temperaturas de cor, estão presentes no mesmo ambiente, mas os filmes profissionais mais avançados, possuem uma quarta camada de cor, o que significa uma melhoria substancial, em relação aos filmes antigos. No caso da fotografia digital, os softwares de tratamento de imagem podem ,na maioria dos casos, compensar os desvios de cor.
Naturalmente, a mistura de fontes de luz não se constitui num problema, quando se fotografa com filme em branco e preto, mas o White Balance correto, segue sendo importante, quando se fotografa com câmeras digitais, tendo como finalidade, a fotografia em branco e preto.
Normalmente, é desejável que as imagens apresentem tonalidades neutras, mais próximas das cores naturais, mas, mais comumente do que se pode imaginar, a mistura de fontes luminosas pode agregar maior valor na estética e na capacidade de impacto de uma fotografia.
Da mesma forma que os técnicos em iluminação cênica utilizam fontes luminosas de cor quente, misturadas a outras frias, objetivando criar uma atmosfera diferenciada, os fotógrafos podem, também, utilizar esse recurso a seu favor.
Para isso, o primeiro passo é aprender sobre cada fonte luminosa  - sua natureza e comportamento – e como elas afetarão a fotografia.
A escala kelvin de temperatura é utilizada para mensurar a cor da luz, que vai de 1500 K, para a luz de velas, passando por 4000 K, para a luz da lua, 5500 K para a luz do sol, até 12000K para a luz de um dia com céu azul e sem nuvens.
Quanto mais baixa a temperatura de cor, mais “quente” (amarelo-laranja) é a cor da luz e quanto mais alta, mais “fria” (azulada).
A escala Kelvin não é o método mais preciso para se mensurar a cor de muitas das fontes de luz artificial, porque na verdade, ela só se aplica a fontes de luz incandescentes -fogo, a luz do sol (ou lua), luz gerada por combustão a gás ou lâmpadas de tungstênio.
Lâmpadas de descarga, como a de sódio, fluorescentes a vapor e as lâmpadas de haletos metálicos, fornecem luzes que variam, em tonalidade, do vermelho ao azul na escala Kelvin. Fluorescentes, vapor de mercúrio e as luzes de iodetos metálicos, apresentam componente verde, que não pode ser contabilizado na escala Kelvin.
Os fotógrafos que utilizam câmeras de filme, servem-se dos filtros ou gelatina diante de suas lentes para compensar o verde e o ciano presentes nesse tipo de fonte luminosa e os que usam as digitais, podem contar com programas de pós-produção para refinar o equilíbrio de cores, embora o ideal seja efetuar a correção na própria câmera, no momento da configuração para captura.
A maioria das câmeras DSLR possuem controles de White Balance que vão de 2500 K a 8000 K.
A configuração escolhida para o White Balance afeta o histograma de brilho da imagem, que é o principal meio de conferir a exposição obtida e compará-la com a desejada. Assim, configurar o balanço de branco para se obter cores mais próximas do real, garantirá, também, uma exposição mais adequada.
As fontes de luz artificiais mais comuns são as de vapor de sódio, multi-vapores metálicos, fluorescentes, de tungstênio e de vapor de mercúrio.
As lâmpadas de sódio de alta pressão são o tipo predominante na iluminação pública. Essas luzes têm uma dominante laranja- rosada – a correção das cores iluminadas por ela é difícil de ser executada com exatidão, embora pareçam neutras ao  olho humano.
Luzes de vapor de mercúrio emitem um tom azul-esverdeado e uma pequena porção de radiação ultravioleta, não sendo utilizadas, atualmente, com tanta frequencia. As que persistem, são encontradas em ambientes industriais.
As lâmpadas de iodetos metálicos possuem engenharia de geração de luz similar às de vapor de mercúrio, mas receberam, dentro de seus tubos, outros elementos com a finalidade de produzir um espectro mais amplo.
São cada vez mais comuns em estacionamentos e parques públicos, mas seu uso mais frequente é em estádios e instalações esportivas, por produzir luz branca e brilhante.
Lâmpadas de haletos metálicos podem ter temperatura de cor variada, mas a maioria se apresenta azulada na fotografia.
As lâmpadas cerâmicas de descarga de iodetos metálicos representam uma nova tecnologia em iluminação e estão competindo com o LED , como a próxima geração na iluminação pública. Os LEDs são usados ​​em semáforos,  faixa de pedestres e estão substituindo o néon na sinalização. São altamente eficientes, mas muito dispendiosos quando comparados a outros dispositivos de iluminação. Podem ser fabricados em muitas cores, mas geralmente , têm temperatura de cor semelhante à luz do dia, variando entre 4000K e 7500K.
Luminárias fluorescentes são usadas, ​​ocasionalmente, ao ar livre, mas são encontrados, principalmente, em escritórios e outros edifícios comerciais.
Se você fotografar a silhueta da cidade à noite e observar que os interiores dos edifícios são verde brilhante, o prédio é iluminado por luz fluorescente.
Luzes incandescentes de tungstênio são aquelas que a maioria das pessoas têm em suas casas - elas têm temperatura de cor quente, são amareladas e estão entre 2800 K e 3200 K.
Essas, são as principais fontes artificiais de luz que irão impactar a fotografia noturna e, como foi dito anteriormente, vale a pena aprender a distingui-las.




Condições Climáticas

As condições do clima podem afetar, dramaticamente, tanto o contraste quanto o equilíbrio das cores da fotografia noturna. Além disso, podem ocorrer contrastes extremos entre áreas iluminadas por luzes artificiais e absolutamente escuras, bem como entre o céu e o tema central da foto.

Em noites claras, a exposição para o céu é, significativamente, mais longa do que para cenas iluminadas artificialmente.

O fotógrafo deve configurar a exposição, tentando favorecer tanto o ceu quanto a cena ao nível do solo. Uma forma de compensar essa disparidade de exposição é fotografar nas noites de lua cheia ou quase cheia, alta no céu.
O luar terá um impacto, relativamente, pequeno na iluminação da cena na terra, mas iluminará o céu, conferindo cor e tom, na fotografia. Nas noites nubladas, as nuvens no céu refletirão a luz da Terra, reduzindo o contraste geral da imagem e adicionando cor ao ceu. A cor da luz, predominante, será a do ceu céu, m
as o resultado será a combinação de todas as luzes misturadas e direcionadas pelas nuvens, de volta a Terra.

Na maioria dos locais, um céu nublado terá um matiz púrpura, que variará em intensidade, dependendo da altura das nuvens, do nível geral da iluminação vinda da terra e do tipo de iluminação das imediações.


Lance Keimig

Se houver discrepância entre o tipo de iluminação da cena principal e a luz predominante no ambiente, poderão ocorrer diferenças, ainda maiores, de temperatura de cor entre o céu e o solo.
Estas diferenças podem criar imagens interessantes, mas também, causar problemas na correção das cores, se forem desejadas tonalidades naturais. Fotografias noturnas urbanas, normalmente, são mais bem sucedidas em noites de céu nublado ou em noites claras, de lua cheia.






















Lance Keimig

A situação é um pouco diferente, em cenas sob iluminação natural, à luz da lua.  Em noites claras, a exposição para a cena na terra e para o céu é, praticamente, a mesma.
Obviamente, o tempo de exposição será mais longo, se a cena for iluminada por pouca ou nenhuma luz da lua, mas mesmo apenas, sob a luz das estrelas é possível fotografar em áreas afastadas, em noites claras.
Fotografias executadas em noites nubladas, em áreas com pouca ou nenhuma iluminação no nível da terra, resultam em imagens que apresentam céu branco,  brilhante e um primeiro plano escuro, de baixo contraste, embora haja alto grau de contraste geral, entre o céu ea terra.
Uma das soluções para essa condição é a iluminação do primeiro plano através do ligth paiting.
Formações de nuvens e seus movimentos podem tornar a fotografia noturna mais interessante – posicionar a câmera, perpendicularmente a elas ou, pelo menos, num ângulo de 45 graus, torna a tomada mais dramática.
Quando as nuvens se movem, paralelamente, ao plano da fotografia, tendem a apresentar-se borradas, lavando a imagem, criando um efeito de “céu branco”.

Flare

Fotografias noturnas podem ser prejudicadas por reflexos nas objetivas, causados pela luz brilhante e difusa , que atua diretamente sobre a lente, proveniente de fontes situadas fora do campo de visão.
Essa luz indesejada é dispersada através da superfície das lentes da objetiva e pode manifestar-se de diferentes formas.
O Flare, como é chamado, pode ter formato hexagonal ou octogonal, refletindo a forma de abertura do diafragma da objetiva ou pode se apresentar com formas anelares ou de estrelas. Pode ainda, aparecer como uma névoa na imagem, reduzindo o contraste, especialmente, quando ocorre uma luz intensa, fora da cena enquadrada.






















Lance Keimig

As objetivas grande - angulares e zoom são, especialmente, propensas ao Flare, pois seu design complexo e numerosos elementos, propiciam maior quantidade de superfícies por onde a luz se espalha no interior de seus corpos.
Filtros, especialmente sujos, também colaboram para a ocorrência de rerflexos nas lentes - a menos que o fotógrafo seja descuidado com seu equipamento, ocasionando acidentes ou esteja trabalhando em locais onde haja muita poeira e vento, é aconselhável dispensar os filtros na fotografia noturna.
O para-sol é concebido para prevenir o aparecimento do Flare, embora os engenheiros responsáveis pelos projetos das objetivas estejam comprometidos com a eficiência das mesmas, mantendo sua capacidade de zoom e reduzindo efeitos indesejáveis.

Muitas vezes, é difícil detectar o flare pelo visor da câmera, especialmente, quando este ocorre nas bordas da lente, principalmente,  porque os visores SLR e DSLR exibem, apenas, 95- 97% da imagem enquadrada. A melhor maneira de verificar se há Flare é posicionar-se diante da câmera e olhar para a superfície da lente, tomando cuidado para não causar sombra sobre ela.
Se for possível observar qualquer raio de luz sobre a lente, existem grandes chances de que a imagem apresente flare. Nesse caso, a melhor solução é proteger a lente com um bloqueador (cartão negro), que pode ser segurado pelas mãos do fotógrafo ou acoplado à câmera com algum acessório de suporte. 

É preciso ter cuidado ao se posicionar o bloqueador, para que o mesmo não invada o campo de visão, especialmente, quando for usada uma objetiva grande-angular.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FOTOGRAFIA NOTURNA . LOW LIGHT PHOTOGRAPHY . PARTE III


Enquadramento e Focagem



Enquadrar e focar pode se tornar uma tarefa difícil sob luz deficiente, simplesmente, porque não é fácil enxergar a cena através do visor. Felizmente, existem manobras para solucionar esse problema. A fotografia digital tem a grande vantagem de proporcionar  a visualização da foto logo após a captura, tornando possível conferir o resultado e, caso seja necessário, ajustar a posição da câmera e recompor a imagem.

Uma forma eficiente de buscar a configuração correta para obter uma boa imagem final é executar uma série de exposições de teste, com ISO elevado. Mesmo que o nível de luminosidade esteja baixo e seja necessário um  tempo de alguns segundos, a maioria das pessoas consegue segurar a câmera, firmemente, o suficiente para se ter uma idéia razoável sobre o resultado obtido.

Esta técnica é uma ótima maneira de prever e corrigir problemas potenciais, como reflexos, sendo ainda útil, para localizar objetos indesejáveis nas bordas do quadro, que poderiam ter passado despercebidos.

Fotógrafos amantes da fotografia com filme, que possuem câmeras DSLR, podem utiliza-las em ISO elevado ou mesmo, digiroids*,  para realizar esses testes ,como os fotógrafos profissionais costumavam fazer com as Polaroids. Embora os testes feitos com uma DSLR sejam úteis como auxiliar para o enquadramento, não serão, necessariamente, precisos ao fornecer informações sobre a exposição para os fotógrafos de  filme, porque os sensores das câmeras digitais não respondem à longas exposições da mesma forma que os filmes e não reagem à falha da Lei da Reciprocidade. Ainda assim, DSLRs podem ser usadas ​​para estabelecer um ponto de partida para exposições de filme, que serão, quase sempre, mais longas que as exposições digitais.
 

O Live View  é um recurso extremamente útil e pode ser usado juntamente com uma lanterna, para que a tarefa de focar no escuro se torne mais fácil. Uma lanterna brilhante pode ajudar, tanto no ato de compor a cena, quanto na focagem sob luz deficiente. Iluminar o entorno da cena enquanto se olha pelo visor, torna mais fácil encontrar as bordas do quadro.

É muito comum que os fotógrafos mantenham sua atenção no centro do quadro, se esquecendo das bordas da composição, tanto durante o dia, como à noite.

A Fotografia Noturna exige que se mantenha uma atenção extra em toda a imagem, tanto porque pode ser difícil enxergar, tanto por demandarem maior empenho de tempo e energia. É ,sempre, decepcionante investir 10 ou 15 minutos em uma única exposição e, só depois da revisão, encontrar um objeto indesejado na foto, que passou despercebido, o que poderia ter sido, facilmente, evitado com um pouco mais de cuidado.

Embora o sistema de auto focus da câmera funcione muito bem sob boas condições de iluminação, não se comporta da mesma maneira sob baixa luminosidade.

O Infravermelho (IR) auxiliar inserido em algumas câmeras é útil para a focagem automática em certas situações, mas são mais comuns em flashes do que em câmeras. A focagem manual é a melhor opção para a noite e há várias formas de se obter foco preciso. Como escrito em artigo anterior, as objetivas de foco manual (MF) são mais eficientes para a fotografia noturna.

As objetivas auto focus (AF) são projetadas para operar com a maior rapidez e precisão possíveis, no foco automático. Infelizmente, o que funciona melhor para a focagem automática não é o que melhor funciona para o fotógrafo nessas condições. O curto intervalo entre o ponto de foco mais próximo e o foco no infinito, bem como a baixa tensão da maioria das lentes AF, torna-a super sensível e muito difícil de focar ,precisamente, no modo manual. Além disso, para proteger o motor AF durante a focagem rápida, o deslocamento, na verdade, se estende para além do infinito. Ao contrário das lentes MF, que podem ser exigidas até o final do intervalo de operação, onde teremos certeza de que o foco estará no infinito. Quase todas as objetivas auto focus, quando giradas até o final, ultrapassam o ponto de foco no infinito, provocando falta de nitidez em toda a imagem, caso, por acidente, o fotógrafo maneja-la dessa forma.

Assim como a lanterna é útil para auxiliar no enquadramento correto da cena, é também uma ferramenta para focagem. A técnica mais eficiente é posicionar-se atrás da câmera e iluminar a área que será focada.
Mantendo- se, então, o facho luminoso posicionado , ajusta-se o foco, manualmente,  olhando-se através do visor.
Focar utilizando essa técnica em conjunto com o Live View, produz melhores resultados. A imagem do Live View , sem o auxílio da lanterna, pode não ser clara o suficiente para uma perfeita focalização, mas usa-la em conjunto com o zoom do próprio Live View e com a iluminação da cena pela lanterna, permite uma focagem, extremamente, precisa.

Algumas câmeras são dotadas de um recurso que permite a simulação, através do Live View, de como será a exposição, de acordo com as configurações escolhidas – o fotógrafo deve desabilitar esse recurso, pois ele tornará a imagem mais escura, dificultando a visualização na maioria das situações, além de não ser a forma mais adequada para se medir a exposição.

O ideal é experimentar com sua própria câmera a fim de definir que configurações produzirão o melhor resultado.

Outra maneira efeciente de se obter o foco é posicionar a lanterna no ponto focal da cena, apontada para a câmera – volta-se até a câmera e focaliza-se a luz, novamente, utilizando o Live View e trava-se o foco. Retira-se, então, a lanterna do quadro antes de proceder à exposição. 

* digiroid – foto-teste realizada com uma câmera digital simples e barata, antes que se utilize outra, para a foto final, mais cara e complexa. As câmeras Polaroid, que eram baratas e produziam instantâneos, foram largamente utilizadas com essa finalidade.
Etmologia: Digital + Polaroid = digiroid.


Abertura Constante . Referência


A fotografia noturna é influenciada por inúmeras variáveis e muitas delas, fora do controle do fotógrafo. Assim, é interessante ter um ponto fixo, uma configuração que seja mantida a fim de se obter uma fotografia como referência.  Os que utilizam filmes, especialmente, precisam de um método que permita a comparação entre uma imagem e a seguinte.
Comparar os resultados de uma sessão é uma ótima maneira de perceber o que funciona e o que não funciona para obter o resultado desejado.

É contraproducente usar, sempre, o mesmo white balance, uma vez que a gama de temperaturas de cor da noite varia muito. Seria inconveniente se limitar a um único ISO ou velocidade do filme, e não há uma velocidade de obturador única, adequada a todas as exposições.

O ponto fixo lógico, é a abertura do diafragma. Escolher uma abertura que proporciona uma profundidade  de campo (DOF) razoável e usá-la para a maior parte das fotos irá ajudar o fotógrafo a compreender exposições noturnas.

Utilizando-se objetivas de grande-angulares a normais, uma abertura f8 é considerada boa combinação entre profundidade de campo e longas exposições obtidas a partir de aberturas reduzidas.



Se o fotógrafo prefere utilizar objetivas de distâncias focais maiores ou câmeras médio ou grande formato, pode ser que deseje uma abertura menor para ampliar a profundidade de campo; se opta por uma grande-angular extrema, f 5.6 pode produzir a profundidade de campo necessária. 

O importante é utilizar uma abertura, relativamente, constante que possibilite a comparação dos resultados com uma foto de referência.

Essa forma de trabalho é útil quando se está iniciando na área da fotografia noturna, quando se está, ainda, adquirindo confiança. 

Para os que utilizam filme, é imperativo anotar as configurações de cada exposição, para poder, em seguida, comparar os resultados.

Se o fotógrafo prefere ofoco no infinito, manter a abertura constante evita a necessidade de repetir o processo de focagem.
A abertura constante é necessária, ainda, se  a opção é o HDR (high dynamic range).

Obviamente, existirão momentos em que o fotógrafo desejará utilizar aberturas maiores ou menores, a fim de manipular a profundidade de campo – é, apenas, uma boa prática, variar a exposição ajustando-se o tempo, ao invés da abertura.

Hiperfocal

A distância hiperfocal é o ponto mais próximo de um dado comprimento focal, abertura e formato de câmera capaz de manter o “infinito”, focado nitidamente.


Deve-se lembrar que, para cada lente, há um ponto de foco exato e uma área, à frente e atrás do ponto de foco, que se mantém em nitidez aceitável.

A nitidez declina, gradativamente, à medida que, observamos a imagem e nos distanciamos do ponto de foco, antes que a imagem se torne, perceptivelmente, fora de foco.

Essa zona de foco é a que chamamos profundidade de campo – resumindo, o foco na hiperfocal maximiza a profundidade de campo.

Quando uma objetiva é focada na hiperfocal, a profundidade de campo se estende da metade daquela distância ao infinito.

Por exemplo, se a distância hiperfocal de determinada combinação de objetiva-abertura-câmera é 1000 mm, então, sua profundidade de campo se estenderá da metade daquela distância – 500 mm – até o infinito.

Tecnicamente, com qualquer objetiva é possível focalizar utilizando a hiperfocal, mas nas que possuem zoom reduzido, torna-se difícil obter qualquer precisão, sendo, portanto, melhor optar por outro método.

As lentes prime de foco manual possuem uma escala de profundidade de campo que permite a pre-focalização na distância hiperfocal, exceto quando se utiliza adaptadores para o encaixe da objetiva na câmera.

A escala utiliza marcas de distância combinadas com pares de números ou linhas coloridas que representam os números f da objetiva, um de cada lado da marca que representa o ponto focal.

Alinhando-se o símbolo do infinito na escala de distância, com o número externo ou linha colorida que representa a abertura com a qual se está trabalhando, obtem-se o foco da lente para a distância hiperfocal.

A distância mais próxima de profundidade de campo será indicada pelo número interno ou linha colorida na escala de profundidade de campo. A escala informa, apenas, a aproximação do que será a profundidade de campo real, por isso, é conveniente utilizar a distância hiperfocal para a abertura um ponto acima do que a abertura com a qual se está trabalhando.



Em outras palavras, se está fotografando em f11, o ideal é focalizar para a distância hiperfocal em f8. Essa manobra garantirá que o infinito estará bastante nítido, além de oferecer uma boa margem de erro.

Objetivas zoom não possuem escala de profundidade de campo, pois essa varia de acordo com a distância focal escolhida.

Fotógrafos que trabalham com objetivas que não possuem indicação de profundidade de campo ou escala de distância, ainda pode utilizar o método de focalização na hiperfocal. Com uma tabela ou calculadora de distância hiperfocal será mais fácil aplicar o método em campo. Definida a distância, a objetiva e a abertura, basta determinar a hiperfocal adequada através da tabela ou calculadora e, a partir da câmera, caminhar contando os passos, para dentro da cena. Encontrado o ponto indicado pela tabela, coloca-se uma lanterna no chão, apontada para a câmera. Ao retornar para trás da câmera e focalizar a luz vinda da lanterna, o ponto de foco recairá sobre a hiperfocal.


Tabela de Hiperfocal
 

HYPERFOCAL
DISTANCES
FOCAL LENGTH
17mm
20mm
24mm
28mm
35mm
Aperture (f)
m
ft
m
ft
m
ft
m
ft
m
ft
1.4
-
-
-
-
-
-
22.2
72.7
34.6
113.6
2
-
-
-
-
11.5
37.8
15.7
51.4
24.5
80.3
2.8
4.1
13.4
5.7
18.6
8.1
26.7
11.1
36.4
17.3
56.8
4
2.9
9.5
4.0
13.1
5.8
18.9
7.8
25.7
12.2
40.2
5.6
2.0
6.7
2.8
9.3
4.1
13.4
5.5
18.2
8.7
28.4
8
1.4
4.7
2.0
6.6
2.9
9.4
3.9
12.9
6.1
20.1
11
1.0
3.4
1.4
4.6
2.0
6.7
2.8
9.1
4.3
14.2
16
0.7
2.4
1.0
3.3
1.4
4.7
2.0
6.4
3.1
10.0
22
0.5
1.7
0.7
2.3
1.0
3.3
1.4
4.5
2.2
7.1

.

HYPERFOCAL
DISTANCES
FOCAL LENGTH
45mm
50mm
60mm
70mm
80mm
Aperture (f)
m
ft
m
ft
m
ft
m
ft
m
ft
1.4
-
-
71
232
-
-
-
-
181
594
1.8
-
-
56
182
-
-
-
-
142
466
2
-
-
50
164
-
-
-
-
128
420
2.8
29
94
35
116
51
167
69
227
90
297
4
20
66
25
82
36
118
49
161
64
210
5.6
14
47
18
58
25
83
35
114
45
148
8
10
33
12
41
18
59
24
80
32
105
11
7
23
9
29
13
42
17
57
23
74
16
5
17
6
20
 9
30
12
40
16
52
22
4
12
4
14
6
21
9
28
11
37



A medida do passo de um adulto médio é, aproximadamente, 1 metro. Portanto, se a hiperfocal está a 10 metros da câmera, de acordo com a tabela, deve-se andar 10 passos a partir da câmera e posicionar a lanterna no final da caminhada.

Não devemos nos preocupar se o cálculo da distância não for exato – é essa uma das razões pelas quais devemos cuidadosos e fechar o diafragma um ponto extra.

Podemos nos sentir seguros – uma vez que a objetiva está focada na hiperfocal, não necessitamos realizar outra focalização, enquanto utilizarmos a mesma abertura. 

Os fotógrafos que têm problemas de visão ou que não conseguem focar bem à noite devem realizar uma pré-focalização antes de sair de casa para o trabalho de campo, enquanto ainda há luz. É possível mensurar a hiperfocal para uma determinada abertura, com o auxílio de uma trena, fita métrica ou metro de madeira, a fim de se certificar que o foco estará na hiperfocal.

O anel de foco da objetiva pode ser fixado com uma fita adesiva, para que não se mova e mantenha o foco no ponto definido durante toda a noite. 

É óbvio que, se a abertura for alterada, a hiperfocal mudará e a operação de focagem deverá ser refeita.

Existem vários recursos online e apps em telefones celulares para se calcular a hiperfocal. 

Nenhum desses métodos irá funcionar em todas as situações, sendo assim, é interessante dominar várias técnicas aplicáveis em diferentes condições.


Contraste e Dynamic Range


O intervalo entre o tom mais escuro e o mais brilhantes em uma cena, arquivo digital, negativo ou cópia impressa é chamado dynamic range, latitude ou faixa dinâmica.

As fotografias feitas durante o dia, geralmente, são iluminadas por uma única fonte de luz – o Sol. Em um dia claro, o Sol é uma fonte de luz que produz altos contrastes criando sombras profundas, tons médios e realces brilhantes. A menos que a cena contenha reflexos especulares como a luz solar refletida num espelho d’água, vidro ou metal, a latitude da cena pode ser, totalmente, capturada por um sensor de DSLR ou filme. Um céu nublado é uma fonte de luz difusa, apresentando contrastes muito mais suaves, latitude menor e apenas alguns poucos f stops entre o tom mais claro e o mais escuro da cena.

A situação durante a noite é ,completamente, diferente, pois a iluminação noturna envolve muitas e  diferentes fontes de luz pontuais, que são bastante fracas, quando comparadas ao Sol ou a luz difusa de um céu nublado.






Uma cena típica da noite pode ser descrita como um mar de escuridão pontuada por pequenas fontes de luz.

Fotografias noturnas são, freqüentemente, descritas como teatrais ou dramáticas, pois a luz, muitas vezes, é proveniente de diferentes direções e fontes. As exceções ficam por conta das fotografias feitas em ambientes naturais, virgens, ao luar.


As cenas ao luar possuem latitude semelhante às iluminadas pelo sol, mas apresentam duas ,importantes, diferenças: a primeira é óbvia, pois a luz do luar é muito mais fraca , sendo a luz solar refletida na superfície da lua. Em segundo lugar, em virtude da pouca intensidade da luz da lua, são necessárias longas exposições - a Lua se move no céu durante a exposição. À medida que a Lua se move e sua sombra com ela, as bordas são suavizadas, pois são “lavadas” com a luz.
Como resultado temos sombras não tão profunda com as provocadas pelo Sol.
Cenas ao luar, normalmente, possuem uma latitude reduzida, a menos que a câmera esteja apontada para a lua.






















A latitude entre as áreas claras e escuras, em ambientes iluminados artificialmente, pode, facilmente chegar a 15 f stops e se as fontes luminosas estão incluídas na imagem, esse intervalo é, ainda maior. Esta diferença de exposição entre sombras e luzes é mais do que qualquer sensor de câmera ou filme pode registrar,  sem chegar aos seus extremos.


Às vezes, uma imagem vale o investimento no tempo de pós-processamento, a fim de tentar recuperar tão altos contrastes, mas a melhor maneira de lidar com tais extremos é trabalhar para gerenciá-los na câmera, sempre que possível. Um pequeno ajuste  no enquadramento pode, muitas vezes, reduzir o contraste total. Pequenos ajustes de posicionamento da câmera podem esconder uma fonte de luz proeminente atrás de uma árvore, placa de rua ou outro objeto na cena. Em situações complexas com muitas fontes de luz, encontrar a melhor posição da câmera para esconder as fontes de luz mais problemáticas, pode ser como montar um quebra- cabeças – move-se a câmera para esconder uma fonte e de luz e outra, aparece.

Outra opção pode ser um enquadramento mais estreito, buscando eliminar fontes de luz próximas às bordas do quadro, que causam reflexos na lente e aumentam o contraste geral.
Às vezes, o enquadramento bem elaborado é a única forma de fotografar uma cena, particularmente, contrastada – é o poder do ângulo de tomada.
Em outros casos, pode ser que não seja possível capturar a cena, anteriormente vista e imaginada, através de uma única exposição. Nesses casos, a técnica de HDR torna-se uma solução plausível. Conhecer a latitude do sensor da câmera ou do filme que se está utilizando irá ajudar a determinar se a cena poderá ser fotografada numa única exposição ou se serão necessárias várias, para depois, com a ajuda de um software de edição, mescla-las numa única imagem, preservando todos os detalhes importantes. É necessário distinguir entre destaques relevantes, onde os detalhes precisam ser preservados e elementos ou áreas que admitem “corte” advindo de uma super-exposição.



Não existem regras rígidas para tal decisão – a escolha é subjetiva e depende do fotógrafo, no momento da exposição.

Enormes quantidades de detalhes ficam registrados em arquivos capturados no formato RAW e podem ser recuperados no pós-processamento. Entretanto, quando o corte ocorre nos três canais de cor (RGB) e o sensor se torna, totalmente, saturado, não existe possibilidade de recuperação. 



Cada nova geração de câmeras digitais amplia a latitude disponível aos fotógrafos.

As câmeras DSLR  mais antigas tinham latitudes de, aproximadamente, 10 stops, o que foi melhorado para 12 stops em 2008. A Nikon D3X tinha uma gama dinâmica de  13,7 stops, a maior que qualquer DSLR no mercado, no final de 2009. O filme preto e branco tem um potencial semelhante. De acordo com meus estudos, não há, ainda, nenhuma mídia de impressão capaz de reproduzir toda a gama dinâmica das cenas noturnas. A qualidade de impressão irá transmitir a sensação da amplitude da gama dinâmica da imagem, mas de forma comprimida, a fim de se adequar à faixa dinâmica do papel.